Arquivo de janeiro \25\UTC 2012

Punch Line.

Tava assistindo a entrevista de um determinado ator que, antes de entrar no palco, disse que dava pra sentir a platéia antes de começar cada espetáculo. O jornalista perguntou e hoje? Como eles estão?

Mornos, respondeu.

Quando entro numa livraria a procura de livros [quase sempre vou nas escuras] [livrarias: poucos lugares me deixam tão feliz quanto elas] eu também os sinto.

Megalomania, a gente vê por aqui.

Então que eu vou folheando, clássicos ou não, lendo sempre a primeira linha. É nesse linha que a sensação do livro me marca e é meio que ridículo eu dizer isso, mas é verdade.

Dá pra saber, na minha cabeça sem juízo, se o livro é quente, morno ou frio como o coração de algumas pessoas. Se o livro é bom, se o autor é genial. Ou não.

É na primeira linha que eu me apaixono e dou aquela chance.

Mrs. Dalloway é um dos livros mais (re) conhecidos de Virginia Woolf, eu sei, mas só saiu da prateleira pra minha bolsa por causa de sua primeira linha:

Mrs. Dalloway disse que ela própria iria comprar as flores.

Tem um mundo dentro dessa frase. E, sim, volto pra falar sobre ele.

Em tempo:

Vídeo genial [que não tenho certeza se já passou por aqui], mostrando as primeiras linhas de grandes histórias da literatura.

Curtam aí.

Si tu savais comme on s’ennuie a la Manic… *

[ao som de La Manic*]

Queria tentar fazer poesias de novo. Poemas tem a cor de sentimentos frágeis e velhas novidades. Sou uma velha novidade. Devo ter perdido minha graça de outrora [se é que já tive graça]. Perdido a áurea de juventude que me cercava. Tudo é novo ao redor, porque eu, bem, eu envelheci.

Helàs. Pour moi.

Engraçado é que, quando as novas novidades dão seus já conhecidos priripaques de novidades, porque toda novidade é temperamental e passageira [bem me lembro] é na velha novidade que se vem pedir socorro [você se lembra?].

Uma vez Bukowiski disse que caiu de amores pelo seu computador, mais rápido e divertido que sua velha máquina de escrever. Mas que o computador, volta e meia dava problema, tinha que ir pro conserto, tinha que trocar de peça e isso e aquilo. Então o quê salvava suas noites insones, quando todos ao redor dormiam e ele se sentia sozinho? Ela, a máquina secular de teclas duras. E disse também que quando o computador voltava e ele ia guardar de volta no armário a máquina, sentia pena, certa compaixão de ter que relegá-la a escuridão e não funcionalidade novamente, sabendo que, se precisasse, ela voltaria a ajudá-lo.

Que ela [eu] ia esperar que ele se cansasse das novidades, que aproveitasse os jogos e as teclas macias. Mesmo que tudo sem ele fosse muito solitário.

E mais nenhuma palavra sobre isso. É uma promessa.

Vintage.

Taí uma coisa [meique] universal: sucesso do vintage, seja em roupas, acessórios, o escambau.

Então que a casa nova me espera com suas paredes brancas e espaços vazios e eu piro nas revistas e nas ideias de decoração. Uma delas: quadros/pôsters que deem a áurea para os ambientes. Como lidar? Aí eu acho o site Vintage Taste e minha vida acaba.  Por lá eles comercializam pôsters [em vários tamanhos] que vão desde o fetiche hollywoodiano, passando por pin-ups e índios, até aquarelas em estilo oriental a preços lindos.  Resta só escolher o tema e correr pro abraço [cartão de crédito pedindo socorro].

Divirtam-se.

Similar.

A-há, comprei mas não foi moleskines. Comprei por menos da metade do preço e tô feliz. Minha agenda de 2012 para assuntos aleatórios [literatura] vai ser do jeito que quero [com muito estilo] sem pesar na consciência [bolso].

Tanto assim que já fiz meus primeiros rabiscos no caderninho:

Há.

Até parece, né? Esse é um dos muitos desenhos que Frida Khalo fazia em seu famoso diário. E taí uma coisa que queria saber fazer: desenhar toscamente, porque nem isso, caros amigos. Comigo rola nem bonequinho palito, mas eu prometo ao meu moleskine genérico muitos recortes, tinta guache e sol. Sim, sol. Sóis são as únicas coisas que sei rabiscar.

Nada mais contraditório.

Mais desenhos de Frida:

Classe média sofre.

Comprar ou não comprar um Moleskine, eis a questão. Desculpa, Hamlet. Desculpa, Marx. Desculpa, Brasil, mas tô entre a cruz e a espada.

Classe média sofre.

Porque, verdade seja dita, o grande atrativo de um Moleskine é sua áurea mítica na conversa de que vários artistas, em sua época de penúria e de maior criatividade, teriam usado um desses. O bom é saber que a empresa que fabrica os tais caderninhos só foi criada em 1998.

Se segura, Berenice.

Então que só porque Picasso rabiscou num caderninho de capa de couro mole e que Céline soltou umas notas em outro, a empresa fez um marketing tão grandioso e repetiu a mentira tantas vezes que, surpresa-surpresa, virou verdade.

Nesse artigo lá no blog da Companhia das Letras a Carol Bensimon já falou sobre isso.

Ela usa um Moleskine.

E se você for atrás de Tumblrs e Flicks, é só o que vai encontrar: amantes dos caderninhos, que com muito talento,  só  fazem o mito aumentar.

Mas é só um caderno, sabe? É no que fico pensando. Pagar [e muito] por um, só para chamar um moleskine de meu é tão superficial quanto pagar uma de descolado posando numa foto ao lado de um café Starbucks [apesar de já ter quase apertado o 'finalizar compra' umas trinta vezes hoje].

[Tôca Rauuul]

A Juliana Cunha também deu seu depoimento sobre o assunto [Moleskines, uma questão séria] e apresentou uma lojinha bem simpática que vende caderninhos a preços lindos.

Pretendo, então, ser forte.

Pretendo não sucumbir.

CRUZEM OS DEDOS.

A beleza de um vício feio.

The beauty of an ugly addiction é uma série de fotos perturbadoras feitas pela fotógrafa belga Frieke Janssens. Aparentemente a inspiração para elas foi o caso do bebê da Indonésia que fumava 40 cigarros por dia e que tinha sido iniciado no vício pelo próprio pai.

A fotógrafa alegou, para justificar o trabalho, uma tentativa de alertar sobre o glamour em volta do ato de fumar, apesar de, olhando, me perguntar se ela alerta ou se ela reforça esse glamour porque todas as fotos são, de fato, lindas. Então que cada um tire suas próprias conclusões, porque se Janssens queria chamar atenção (sou adepta dessa teoria, viu), voilà, ela conseguiu.

Os cigarros, valem a pena ressaltar, são de mentirinha. Eram incensos de queijo e chocolate, bem críveis  – é verdade – através do photoshop.

Mais:

Making off:

Em tempo:

Site da Frieke.

Delícia, delícia.

obsessão
ob.ses.são
sf (lat obsessione) 1 Ato ou efeito de importunar ou vexar. 2 Impertinência excessiva. 3 Preocupação constante; idéia fixa. 4 Med Perturbação causada por uma idéia fixa que leva o doente à execução de determinado ato. 5 Teol Perseguição diabólica, sugestão atribuída à influência do demônio.

Ou:

Pensando aqui que, se cantasse em inglês, público maior seria. Bah, oui.

Me deixa viver, Bruno.

Em tempo:

Ai, década de 90, assim você me mata.

(Pelo trocadilho acima, podem me queimar numa fogueira. Boa noite.)

Na forca com Nabokov.

[foto feita por Marc Riboud]

Cheguei a ganhar uns prêmios por aí e estampei reportagens de cinco linhas em jornais que foram muito mais úteis embalando o peixe do dia seguinte. Eles diziam que minhas fotos tinham técnica, e que eu, tinha sorte. Mas, acredite: não tenho técnica de nada, muito menos, sou possuidor de bonne chance. Riboud, esse sim, tinha sorte, com suas fotos perfeitamente alinhadas, milimetricamente calculadas, feitas antes que ele sacasse a câmera, porque nenhuma flor nascida no meio do protesto se ofereceu para minhas lentes. Azar o meu que vivo na época errada. E se fosse obrigado a escolher um dos tantos (ainda bem que não sou), escolheria ele, por mais que suas fotos não derramem a poesia rasgada de Bresson ou o grito certeiro de agonia do Capa.

Em tempo:

Espero que um dia esse meu trabalho tenha um ponto final definitivo.

Amém?

Amém.


A História de Guilherme O.

A História de Guilherme O.

Para saber mais sobre o livro e comprá-lo, clique na capa

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Olá.

Meu nome é Danielle Sousa, escritora, paranóica, apple scruff, julian-casablanquiana, historiadora, destra, míope, brasileira, cinéfila, louca por música, fashionista [não, porque não tenho dinheiro para], marxista-leninista, olho grande, histérica [fiz o arco de Charcot certa feita], falo francês [mas não sei escrever], leio em inglês [mas não sei falar], queria uma casa de chocolate, uma rua de pedras brilhantes e uma bandeira com os dizeres: EU JÁ SABIA GALVÃO. Aqui posto um pouco das minhas inspirações e tudo o que meu ócio permite. Voilà.

Sigam-me os bons!

Contato: seusuperego@gmail.com


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