Mrs. Dalloway

Parem as prensas.

Sempre que leio alguma resenha/sinopse sobre Mrs. Dalloway é assim [mais ou menos]: um dia na vida de Mrs. Dalloway que está preparando uma festa. E a história até que é isso, concordo, mas é tão de passagem. Veja: de preparativo de festa nada, a não ser as flores do primeiro parágrafo e um vestido sendo consertado.

[Bem, tem a ansiedade, mas... oras!]

Além do mais, Clarissa Dalloway é a pedra angular do romance porque [a mon avis], no final todos irão, de uma maneira ou de outra, passar pela sua festa [vida] do quê por qualquer outro motivo [ou seja, não necessariamente porque é a protagonista].

Tenho pra mim que essa simplificação em contar como é a história se deve ao enredo labiríntico do livro. O enredo é um fluxo de consciência da autora que entra e sai de discursos intimistas de mais de uma dezena de personagens [sem exagero].

Quando pensamos que estamos engatando na história de Clarissa, por exemplo, seu vestido, suas lembranças, seu passado, seu Peter Walsh que vem da Índia, ôpa, passa um carro na rua e embarcamos nos pensamentos de Sir William – que até então, você nunca tinha visto mais gordo -  e que belo dia para esticar as pernas, pensa William que vê o carro passar, que belo dia para fazer uma visita a Septimos que olha a janela pensando na guerra e em Evans e…

Tendel? É isso aí o tempo inteiro.

Além do quê é apenas um dia, um dia em várias vidas, porque o dia muda para cada um, mesmo que o calendário marque a mesma data. E tudo vira sensação, uma dezena de sensações e epifanias espalhadas por aquela Londres, então que – para alguns – o romance pode entrar na categoria de não contar nenhuma história porque não se tem um conflito claro.

Tudo isso pra eu dizer que: sim é lindo, um clássico, extremamente bem escrito, mas também dificil de ser lido e que merece um tempo, uma áurea específica.

Nada de dias cheios, nada de preocupações na cabeça. Ou seja: pegue Mrs. Dalloway quando você não se incomodar de ler cinco páginas e no final perceber que estava pensando em outra coisa, longe do livro, longe da história porque o personagem na folha também estava distante daquela realidade inventada.

É contagioso, vai vendo.

Em tempo:

Mrs. Dalloway possui algumas adaptações cinematográficas. Por exemplo:

Mrs. Dalloway – 1997

As Horas  – [que é baseado em um livro de Michael Cunninghan que se baseia no livro e na vida de Virginia Woolf, ufa.] – 2003

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Olá.

Meu nome é Danielle Sousa, escritora, paranóica, apple scruff, julian-casablanquiana, historiadora, destra, míope, brasileira, cinéfila, louca por música, fashionista [não, porque não tenho dinheiro para], marxista-leninista, olho grande, histérica [fiz o arco de Charcot certa feita], falo francês [mas não sei escrever], leio em inglês [mas não sei falar], queria uma casa de chocolate, uma rua de pedras brilhantes e uma bandeira com os dizeres: EU JÁ SABIA GALVÃO. Aqui posto um pouco das minhas inspirações e tudo o que meu ócio permite. Voilà.

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