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Vita Brevis.

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Um amigo me emprestou Vita Brevis, um livro de Jostein Gaarder aquele que escreveu O Mundo de Sofia.

Na introdução de Vita Brevis, Gaarder diz que o livro é uma tradução que ele mesmo fez de um misterioso livro chamado Codex Floriae. O codex seria, na verdade, uma compilação de cartas feitas pela suposta mãe do filho de Santo Augustinho (isso mesmo que você leu).

Gaarder diz que encontrou essa preciosidade no famoso Mercado de San Telmo, em Buenos Aires. E taí uma coisa que poderia dizer daquele lugar é que ele guarda muitas preciosidades.

Fomos até lá no terceiro dia de nossa viagem: andamos uma infinidade de ruas, perguntamos para um senhorzinho onde estávamos e ele nos fez dar a volta para andarmos o dobro de antes. Subimos ladeiras, passamos a Av. 9 de Julho (com o mural de Evita no prédio do Ministério da Saúde ), pelo Obelisco. Passamos por uma perfumaria e eu fiquei apontando o que queria do lado de fora, porque a loja estava fechada. Passamos por um StarBucks e eu fiquei dizendo o que queria beber em frente a fachada, porque estava fechado. Fiquei com medo quando entramos em labirintos de ruas desconhecidas com pessoa nenhuma ao redor (ele apertou minha mão).

Choveu. Choveu muito e a feirinha de San Telmo (ao redor do Mercado) não resistiu e se acanhou. As barraquinhas fechadas e seus donos escondendo as cabeças nos capuzes.

Entramos no Mercado. Eu queria levar o Mercado, assim, de cara: roupas usadas, bibelôs, objetos vintages, esotéricos, incensos (comprei vários), telefones da década de 50, fotos antigas, óculos Ray-Ban falsificados, bolsas, peixes e carnes variados, frutas e verduras, cafés, linguiça (?), quadros, posters, adesivos, lanches, artesanatos, sebos e ouro. Muito ouro. Principalmente nessa lojinha decorada de cima abaixo de jóias e semi-jóias e pulseiras e colares e anéis e tudo girando ao redor de nossas cabeças.

Preciosidades.

O dono da lojinha de jóias parecia um mafioso, com a unha do mindinho crescida e anéis no restante dos dedos (como ele conseguiu tudo aquilo??). Sentado na porta, ele parecia parte da decoração. Bigodinho. Acima do peso. Falava baixo e era meio desconfiado. Quis bater uma foto dali, mas desisti. O cara dava medo e tudo era muito caro. Fomos embora com um punhado de bugigangas e almoçamos em um restaurante ali em frente. Um casal (ele tocando violão e ela cantando) embalaram o final do nosso almoço, demos uma gorjeta pra eles e eu já estava bêbada (de novo).

Escondi meus pacotinhos dentro do casaco e enfrentamos a chuva de volta ao hotel.

[continua]

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Olá.

Meu nome é Danielle Sousa. Sou a chata da turminha.

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